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A NOIVA ACUSOU A FLORISTA DE TER ROUBADO A JOIA DE SUA MÃE FALECIDA — ATÉ DESTRAVAR O RELÓGIO E DESCOBRIR A VERDADE ESCONDIDA DENTRO DELE

8 Min Read

A NOIVA ACUSOU A FLORISTA DE TER ROUBADO A JOIA DE SUA MÃE FALECIDA — ATÉ DESTRAVAR O RELÓGIO E DESCOBRIR A VERDADE ESCONDIDA DENTRO DELE

Aquele deveria ser o instante mais mágico na vida de Clara Whitmore.

A cerimônia matrimonial estava a minutos de ter início.

Arranjos de lírios e rosas brancas adornavam a galeria da propriedade, o murmúrio dos convidados ecoava ao longe e a claridade dourada dos lustres de cristal reluzia sobre o assoalho encerado.

Contudo, a mente de Clara estava completamente distante de qualquer celebração.

Entre seus dedos trêmulos, descansava um velho relógio de bolso banhado a ouro.

Uma peça relíquia que ela não colocava os olhos há incontáveis anos.

Um tesouro que outrora pertencia exclusivamente à sua falecida mãe.

E bem à sua frente achava-se Lily Carter, a daminha de honra de apenas sete anos de idade.

A pequena permanecia encolhida contra o portal maciço de carvalho.

Seus olhinhos infantis transbordavam em lágrimas silenciosas.

Clara apertou a peça de metal com força redobrada.

— Onde exatamente você achou isto?

A menina permaneceu calada.

Clara adiantou um passo, a postura rígida.

— Estou aguardando sua resposta, Lily.

Nesse exato instante, Ethan surgiu na curva do corredor.

— Clara? O que houve?

Ele notou de imediato a atmosfera pesada que pairava ali.

— Qual é o problema?

Clara apontou o artefato dourado na direção da garotinha.

— Ela surrupiou isso.

Ethan uniu as sobrancelhas, sem compreender.

— Surrupiou?

— Era a joia da minha falecida mãe.

Lily balançou a cabeça em desespero.

— Eu não peguei nada sem permissão!

Clara soltou o ar pesadamente, tentando manter o controle.

— Lily, esse objeto sumiu sem deixar rastros há anos.

O choro da menina intensificou-se.

— Eu juro que não roubei!

— Sendo assim, como isso veio parar em suas mãos?

Lily cruzou os bracinhos sobre o peito infantil, protegendo-se.

— Ela me entregou.

Clara estacou, atônita.

Por breves segundos, o cérebro dela pareceu recusar o sentido daquelas palavras.

— Quem entregou?

A pequena florista encarou a peça de metal reluzente.

— A senhora.

A noiva arqueou as sobrancelhas, desconfiada.

— Que senhora, menina?

Lily silenciou de novo.

Ethan tentou intervir, pousando a mão no ombro da noiva.

— Clara, respire fundo. Talvez seja prudente mantermos a calma.

Ela virou-se para ele com os olhos em chamas.

— Ethan, isso era a coisa mais preciosa para minha mãe.

A voz embargou por um instante.

— Ela jamais saía sem essa peça guardada junto ao peito.

Ethan lançou um olhar enternecido para a garotinha assustada.

— Talvez algum convidado tenha achado e entregado a ela sem ter ideia de quem pertencia.

Clara cravou novamente o olhar na menina.

— Foi isso que aconteceu?

Lily negou com a cabeça veementemente.

— Não, senhorita.

— Então diga a verdade de uma vez!

A garotinha puxou o ar, engolindo o soluço.

— Ela falou que eu tinha que dar direto na sua mão.

A cor sumiu do semblante de Clara.

— Quem mandou fazer isso?

Lily fixou o olhar com espantosa firmeza nos olhos da noiva.

— A mulher que está no retrato.

Clara sentiu um arrepio gélido percorrer sua espinha.

Ethan paralisou no lugar.

— Que retrato você está falando? — indagou o noivo.

O dedinho de Lily apontou direto para a peça dourada.

— Aperta o fecho.

Clara baixou a vista para a joia que sustentava.

— Lily…

A menina vertia lágrimas, mas sustentava uma coragem incomum.

— Por favor, senhorita Clara. Abre.

O coração de Clara parecia bater na garganta.

Havia uma certeza estarrecedora na postura daquela criança.

Definitivamente não soava como o subterfúgio de uma menina apavorada.

Clara sussurrou em tom quase inaudível:

— Minha mãe se foi deste mundo faz muito tempo.

Lily sustentou o contato visual sem recuar um milímetro.

— Eu estou sabendo.

O fôlego de Clara trancou-se no peito.

— De onde você sabe disso?

Lily repetiu o gesto em silêncio.

— Abre.

Ethan deu dois passos cautelosos à frente.

— Clara… deixe isso de lado por agora…

Ela simplesmente não ouviu.

Suas mãos começaram a oscilar, tomadas por tremores incontroláveis.

Clara lembrava-se perfeitamente daquele relógio desde quando dava seus primeiros passos.

Entretanto, a mãe jamais permitira que ninguém desvendasse seu interior.

Sempre que Clara implorava para ver o compartimento oculto, Rose apenas acariciava seus cabelos com um riso misterioso.

“No momento certo, tudo fará sentido para você.”

Assim que Rose partiu para sempre, o relógio sumiu sem deixar o menor vestígio.

Durante toda a sua juventude, Clara acreditou que a peça tivesse sido extraviada para sempre.

Até aquele dia fatídico.

Ela apoiou a ponta do polegar sobre a pequena saliência metálica da borda.

Um estalo seco soou no corredor.

A tampa articulada cedeu e se ergueu.

Clara contemplou o interior da cavidade.

A expressão em seu rosto se desfez por completo.

No fundo da tampa repousava uma fotografia minúscula e desgastada pelo tempo.

Rose Whitmore.

Sua mãe.

Em seus anos dourados da juventude.

Com aquele sorriso acolhedor e vivo.

Junto à borda do retrato, havia uma delicada pétala branca desidratada.

Clara cobriu os lábios com a mão trêmula, sem fôlego.

— Meu Deus… não pode ser…

Ethan inclinou a cabeça sobre o ombro da noiva para espiar.

— É a sua falecida mãe?

Clara assentiu num movimento quase imperceptível de cabeça.

Grossas lágrimas começaram a rolar por suas bochechas maquiadas.

— Esta imagem ficava aqui dentro quando eu ainda era pequena.

A ponta de seu indicador tocou a extremidade amarelada do papel fotográfico.

— Mas mamãe retirou essa mesma foto anos mais tarde. Tenho certeza absoluta.

Ethan demonstrou espanto e perplexidade.

— Tem plena certeza desse detalhe?

— Certeza absoluta.

Clara transferiu seu olhar de volta à pequena Lily.

Toda a desconfiança e o rancor deram lugar a um pavor profundo e inexplicável.

— Como diabos você podia saber da existência desse retrato aqui dentro?

Lily baixou a fronte com timidez.

— Porque foi ela mesma quem me mostrou.

O sangue de Clara parecia ter congelado nas veias.

— Quem, Lily? Diga!

A pequena manteve a boca fechada.

Desta vez, Clara ajoelhou-se lentamente no chão, diminuindo o tom de voz para transmitir afeto.

— Lily, olhe bem pra mim, querida.

A menininha levantou os olhinhos marejados.

Clara posicionou o objeto reluzente no espaço entre ambas.

— Você jurou que uma pessoa lhe colocou isto nas mãos.

Lily balançou a cabeça afirmativamente.

— Em que lugar foi isso?

A pequena apertou os lábios finos, visivelmente aflita.

— Fui proibida de revelar.

Ethan fitou Clara, com o cenho franzido.

— Esta conversa está passando de todos os limites normais.

Clara nem sequer prestou atenção ao noivo.

— Que outras orientações ela te passou, Lily?

A garotinha hesitou por alguns segundos.

— Ela avisou que você perderia a paciência e brigaria comigo.

Clara cerrou as pálpebras por uma fração de segundo, sentindo uma pontada de remorso.

— Peço perdão… me desculpe por ter sido injusta.

Lily demonstrou surpresa com o pedido.

Clara respirou e prosseguiu:

— Foi um erro imperdoável acusar você de ladrãozinha.

Uma lágrima escorregou pela bochecha da criança.

— Minha única intenção era entregar direitinho.

— Eu agora acredito em você.

Clara aproximou-se ainda mais do nível dos olhos da criança.

— Só que eu necessito desvendar isso, meu bem.

Lily fitou o relógio aberto.

— O que a senhora precisa saber?

Clara indicou a jovem do retrato com a ponta dos dedos.

— Esta pessoa é a minha mãe.

A menina fez que sim com a cabeça, com tranquilidade.

Um calafrio percorreu a espinha da noiva.

— Você já havia contemplado esta exata imagem antes deste dia de hoje?

Houve uma pausa tensa antes da resposta.

— Sim, eu já vi.

Ethan retesou o corpo instantaneamente.

Clara falou quase num sopro:

— Onde exatamente você a viu?

Lily entreabriu os lábios para falar.

Hesitou e tornou a calar-se.

— Fale, Lily. Por favor.

A menina começou a tremer e a chorar novamente.

— Ela me alertou que a senhora faria exatamente essa indagação.

O estômago de Clara deu um nó violento.

— Quem fez esse aviso?

Lily apontou sem hesitar para o rosto sorridente de Rose na miniatura.

— Ela.

O silêncio no corredor tornou-se sepulcral.

Ethan interveio com voz abafada:

— Isso é humanamente impossível, Clara.

Clara apertou a peça de metal dourado com tamanha intensidade que os nós de seus dedos ficaram brancos.

— Lily, ouça… minha mãe partiu deste mundo quando você ainda estava no berço, um bebê de colo.

A menina assentiu solenemente.

— Sim, eu estou ciente disso.

— Portanto, como seria concebível que ela tivesse dialogado com você?

Lily baixou a cabeça, desconcertada.

— Eu… eu não sei explicar.

Clara respirou fundo, tentando acalmar os próprios batimentos cardíacos.

— Você está sofrendo ameaças de alguma pessoa?

A garota refletiu por um instante antes de responder:

— Estou.

— De quem, Lily?

A menina ergueu o olhar e fitou a penumbra do corredor logo atrás dos ombros de Ethan.

Em seguida, voltou a encarar a noiva.

— Daquela pessoa que me proibiu categoricamente de colocar o relógio nas suas mãos.

Clara franziu a testa, tomada pelo choque.

— Alguém quis impedir você de me entregar a joia?

A garotinha balançou a cabeça confirmando.

A fisionomia de Ethan tornou-se rígida e grave.

— Quem foi essa pessoa?

Lily preferiu o silêncio.

Os olhos de Clara recaíram mais uma vez sobre a cavidade do relógio.

Foi nesse exato instante que ela percebeu um detalhe minúsculo, até então oculto.

Atrás da imagem envelhecida de sua mãe, despontava uma pequena ponta dobrada de papel.

Com cuidado extremo, Clara usou a ponta da unha para puxá-la.

Havia uma segunda fotografia cuidadosamente escondida por trás da primeira.

Ela começou a deslizar a película para fora.

No mesmo segundo, as pupilas de Lily dilataram-se em terror.

— Não faça isso!

Clara estancou o movimento na hora.

— O que foi?

A pequena deu um passo vacilante para trás.

— A mulher exigiu que essa outra foto só fosse vista depois que os sinos do casamento tocassem!

Ethan fixou os olhos em Clara, chocado.

— Quem ordenou uma loucura dessas?

A menina não proferiu uma única sílaba sequer.

Clara baixou o olhar para o pedaço recém-exposto da segunda foto.

Apenas um fragmento estava visível.

Uma mão delicada.

Um bracelete de prata inconfundível.

E o contorno parcial de uma pessoa posicionada ombro a ombro com Rose.

O peito de Clara começou a pulsar descompassadamente.

— Lily… pelo amor de Deus…

A garotinha derramava lágrimas copiosas, visivelmente abalada.

Clara ergueu os olhos marejados, a voz falhando em agonia:

— Em que lugar deste mundo você encontrou a minha mãe?

Lily voltou a olhar em direção à porta entreaberta no final do comprido corredor.

E, pela primeira vez naquela noite, o pavor estampado em sua feição superava qualquer outra emoção.

Sua resposta veio em um sussurro arrastado:

— Não se trata de onde.

A confusão tomou conta de Clara.

— Como assim?

Lily respirou de maneira entrecortada.

— Trata-se de quando.

Ethan congelou onde estava, sem reação.

Clara pressionou o relógio contra o vestido branco, colado ao peito.

— Lily… o que você quer dizer com isso?

A criança contemplou mais uma vez o retrato aberto.

Seus lábios começaram a tremer incontrolavelmente.

Contudo, antes que qualquer explicação pudesse sair de sua boca—

o trinco de uma porta ao fundo do corredor estalou e ela se fechou lentamente, num ranger suave.

Clara girou o pescoço em sobressalto.

Ethan acompanhou o movimento no mesmo segundo.

O pranto da menininha tornou-se audível e desesperado.

Clara virou-se para ela com o olhar transtornado.

— Quem está escondido naquele cômodo?

Lily nada respondeu, encolhendo-se ainda mais.

Num gesto súbito e impetuoso, Clara puxou por completo a segunda fotografia oculta.

E no exato segundo em que seus olhos registraram quem posava ao lado de sua mãe—

todo o sangue sumiu de seu rosto, deixando-a lívida como a morte.

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